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  • Erik Loeff: um homem, um prédio, um crime

    Erik Cornelis Loeff foi um empresário e filantropo holandês, nascido em 1915. Ainda em sua juventude, foi condecorado por sua “coragem, habilidade, perseverança e devoção ao dever em combate aéreo”, servindo com o 320º Esquadrão da Marinha holandesa durante a 2ª Guerra Mundial. Erik recebeu também outras honrarias em vida1.

    São poucas as informações disponíveis sobre Erik Loeff (muitas vezes grafado como Eric Loeff), mas a curiosidade em saber porque ele leva o nome de uma unidade de saúde do Hospital Santa Izabel, em Salvador, me fizeram pesquisar mais.


    Um homem, um hospital

    No dia 2 de outubro de 1991 foi inaugurado a Unidade de Oncologia Pediátrica do Hospital Santa Izabel, no bairro de Nazaré. Naquela época, o jornal A Tarde noticiava: “é considerado pelos especialistas o mais moderno hospital do Brasil para tratamento dos cânceres em crianças.”

    O feito de tal realização foi graças à ele – Erik Loeff. Mas como Erik Loeff veio parar no Brasil?

    Luiz Moreira, então deputado federal pelo PTB-BA, tomou a palavra do plenário da Câmara, em 1991, para reconhecê-lo pós-morte:

    Há pouco, não sei bem se há dois anos ou se há menos tempo, em Salvador, na Bahia, através dos jornais, tomamos conhecimento do assassinato desse senhor, que nos últimos anos vinha dedicando o seu trabalho e os seus recursos às obras assistenciais. Não se sabe até hoje se o assassinato foi cometido para roubar ou se tinha outro objetivo. Ele morava sozinho, dispunha de um sistema de segurança em seu apartamento, mas mesmo assim encontraram-no morto.2

    Um homem, um crime

    Erik Loeff morava no icônico Edifício Oceania, o primeiro prédio da Bahia, localizado exatamente em frente ao Farol da Barra. Fontes dizem que ele veio ao Brasil fugido da Holanda, após a ocupação da Alemanha Nazista nos Países Baixos, em 1940.

    No Brasil, já bem estabelecido e de recursos abundantes, foi brutalmente assassinado em seu apartamento, aos 74 anos de idade, em 1989.

    Em reportagem de agosto de 2022, o jornal Correio relembra um pouco da história do Edifício Oceania, e traz um breve comentário sobre o caso:

    Um homem vestido com roupa de médico entrou por uma das 4 portarias do edifício, subiu o elevador, cometeu o crime e foi embora sem deixar vestígios.3

    O corpo de Erik foi encontrado na poltrona da sala de estar do seu apartamento, com quatro tiros no dia 22 de dezembro de 19894.

    Até hoje não se sabe quem assassinou Erik Loeff.

    Um homem, uma obra

    Na sociedade baiana daquela época, Erik encontrou amizade no saudoso Elsimar Coutinho, que lamentou a morte: “Lastimo esse desaparecimento porque é um homem que tem sempre ajudado as obras sociais”.

    Poucos anos antes de ser assassinado, Erik Loeff doou parte de sua fortuna de cerca de 10 milhões de dólares para a construção de uma estrutura física do CEPARH5, instituição administrada por Elsimar Coutinho.

    A doação de Loeff foi dada como “fundamental” para o desenvolvimento do belo trabalho do CEPARH, que tem sede no bairro da Federação, em Salvador.

    Há registros de que Loeff se dedicou à filantropia em seus últimos anos de vida.

    Um homem sem rosto

    Hoje, não se sabe muito bem quem foi Erik Loeff – sabe-se que era empresário, mas nada além disso é registrado; também, que era rico. Não se tem foto nem registros de quem ele era, se era casado, se deixou filhos.

    Em memória de Erik Loeff (1915-1989).

    1. Traces of War ↩︎
    2. Diário do Congresso Nacional (p. 19312) ↩︎
    3. Jornal Correio ↩︎
    4. Jorna O Liberal, p.19 ↩︎
    5. ALBA ↩︎
  • Pedro sobre as águas

    O sermão de hoje em minha igreja (IBAM Salvador) foi sobre Mateus 14:22-33, trecho bíblico que narra o momento em que Jesus andou sobre as águas.


    “Logo em seguida, ele obrigou seus discípulos a entrar no barco e ir na frente dele para o outro lado, enquanto ele mandava as multidões para casa. Tendo-as mandado para casa, subiu ao monte para orar em particular. Ao anoitecer, ele estava ali sozinho. Enquanto isso, o barco já estava bem longe da terra e era sacudido pelas ondas, pois o vento era contrário. Já alta madrugada, Jesus foi até eles, andando sobre o mar. Mas, ao vê-lo andando sobre o mar, os discípulos assustaram-se e disseram: É um fantasma! E gritaram de medo. Jesus, porém, falou-lhes imediatamente: Tende coragem! Sou eu! Não temais. Pedro lhe respondeu: Senhor, se és tu, manda-me ir sobre as águas até onde estás. Ele lhe disse: Vem. Descendo do barco e andando sobre as águas, Pedro foi ao encontro de Jesus. Mas, ao perceber o vento, teve medo; e, começando a afundar, gritou: Senhor, salva-me. Imediatamente Jesus estendeu a mão, segurou-o e disse-lhe: Homem de pequena fé, por que duvidaste? E logo que subiram para o barco, o vento cessou. Então os que estavam no barco o adoraram, dizendo: Verdadeiramente tu és o Filho de Deus.”

    Mateus 14:22-331

    Este belíssimo trecho da Palavra de Deus mostra a soberania de Jesus Cristo sobre a natureza – soberania essa confirmada explicitamente pelo Apóstolo Paulo em Colossenses 1. Porém, não apenas Jesus andou sobre as águas – Pedro também andou!

    Existe uma palavra-chave nesse trecho da Bíblia: medo. O versículo 26 mostra que os discípulos que estavam no barco, à espera de Jesus – que tinha saído para orar e pedido insistentemente para que eles adiantassem a partida, de barco – tiveram medo ao ver um homem se aproximar do barco, andando sobre as águas.

    Aqueles homem conheciam o mar e entre Os Doze alguns eram pescadores, como Pedro, Tiago, João e André. O que seria então aquela criatura que viria pela madrugada ao encontro deles? “É um fantasma!”, concluíram.

    O medo tomou conta do coração deles, e eles ficaram apavorados. Começaram a gritar! Fico imaginando aquela cena cinematográfica do mar agitado, do céu estrelado, do silêncio absoluto, da escuridão total – até que tudo é interrompido com a chegada de um homem andando sobre as águas.

    Era o Filho do Homem. Jesus se identifica: “Sou eu!”, e pede: “Não temais”.

    “Não temais”

    O medo é um paralisador de decisões, um frustrador natural de sonhos e um ativador de tantas sensações estranhas em nosso corpo (você precisa fugir, você está em perigo, receba adrenalina!).

    Os discípulos já tinham vivido experiências o suficiente para crer que Jesus Cristo era o Filho de Deus. Seu pedido para não temer foi prontamente atendido por Simão Pedro, que lhe fez um pedido: “Senhor, se és tu, manda-me ir sobre as águas até onde estás.” (v. 28)

    E Pedro foi. E o jovem discípulo começou a andar sobre as águas. Pedro caminhou sobre as águas, ao encontro de Jesus. Mas…

    “Mas, ao perceber o vento, teve medo; e, começando a afundar, gritou: Senhor, salva-me.” (v.30)

    Mas…

    Cada iniciativa em nossas vidas, muitas vezes, vem seguida do “mas”. O plano é feito, o dinheiro é juntado, os ingredientes são selecionados. Mas… e se não der certo? E se tudo sair do controle? E se for insuficiente? E se for um esforço vão? E se for me prejudicar?

    O medo faz parte da experiência humana. Lutar contra o medo (e a incredulidade) de nosso coração é uma missão. Mas a boa notícia está no próprio Jesus: Pedro percebeu que estava afundando e clamou por Jesus – “Senhor, salva-me” (v. 30).

    E Jesus o salvou. Jesus estendeu a mão e o segurou. Assim também Jesus faz conosco, pois o “perfeito amor lança fora o medo”. Em Jesus, podemos confiar em sua paz, segurança e salvação.

    1. Citação de Mateus 14:22-33 na versão Almeida Século 21 (A21) ↩︎

    Foto de capa: pintura “Jesus and Peter on the Water“, de Gustave Brion (1863)

  • Coisas para fazer no primeiro mês de um ano novo

    O começo de um novo ano representa uma oportunidade de dar um novo frescor à vida, adquirir novos hábitos e resolver problemas – dos mais variados. Iniciar um novo ano com uma lista infindável de coisas para fazer, objetivos a alcançar, dinheiros a salvar ou um novo estilo a incrementar o guarda-roupas se mostra uma atividade estressante e desafiadora.

    Com minhas poucas experiências nesta nada mole vida (que, neste ano, se conta o trigésimo primeiro ano em que esse coração aqui bate) eu pude perceber algumas das sutilezas da vida e saber o que funciona para mim e o que não; ou, pelo menos, em cada ano, a precisão fica mais assertiva. Não se trata de ser rígido, mas de ter um autoconhecimento mais apurado. A vida é feita de altos e baixos, você já deve ter percebido isso, e qualquer que te disser que o contrário disso é verdade é, não apenas um mentiroso, como néscio – e, não duvido eu, tem alguma segunda intenção com essa mentira.

    E aqui, chegamos naquele momento que nos imputa a reflexão da vida: será que as escolhas que fizemos foram as melhores? Será que nos deixamos vacilar e permitimos que o suor escorra em vão, ou o coração bater em um ritmo mais angustiante do que deveria? Será que gastamos mais do que a nossa conta bancária permite – ou metemos os pés pelas mãos – na tentativa de agradar a muitos, ou que comemos aquilo que não nutre o corpo, mas que aumenta os triglicérides (ah, os benditos triglicérides! Ou, quando não, o colestoral – oh! bendito colesterol!)?

    Os tantos serás que vêm sobre dezembro geralmente trazem o “ano que vem, tudo vai melhorar” – e, assim, pelo menos nós cremos, e havemos mesmo de crer pois, do contrário, como deixar o coração continuar batendo e a língua cantando, cantando, oh minha gente, se não crer que, sim, a vida vai melhorar! E assim, a gente prossegue crendo que a vida vai mesmo melhorar, e deixamos a tristeza pra lá, ainda bem.

    É bem verdade que dizem os poetas de internet que, se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve. Mas aqui eu quero trazer três reflexões sobre coisas práticas que podemos fazer para trazer à existência uma nova realidade para a vida, um novo ímpeto em aproveitar bem a nossa existência e em ser mais que um mero bom cidadão que cumpre com as suas obrigações fiscais, ou que um bom marido, pai, trabalhador, voluntário ou cinéfilo.

    Boa leitura.


    1. Você está consumindo muito conteúdo

    E a sua vida está passando. E passando, e passando. Você gasta horas em frente à tela do seu celular consumindo conteúdo e outras tantas em frente ao seu computador trabalhando. Os seus olhos estão cansados e a sua mente está exausta de tanta tendência, cores e músicas de baixa qualidade. Não é para isso que você foi criado.

    “Tudo é ilusão”, diz o poeta de Eclesiastes1. Nós tendemos a acreditar, de uma maneira bastante ingênua, que a maioria das coisas que vemos nas redes sociais são verdade. E isso gera em nós ansiedade social, frustração, inveja e o sentimento de não-pertencimento.

    O antídoto para estes sentimentos não necessariamente está no desativar das redes, mas sim no consumo moderado, quase escasso. Algumas poucas vezes por semana (em duas ou três ocasiões) são mais que suficientes, apenas para ver o que seus amigos estão fazendo, fazer uma reserva em um restaurante local ou se inspirar em conteúdo original. Faça isso e você me agradecerá depois.

    Porém, para algumas redes (como X e TikTok), não existe outro caminho a não ser a exclusão definitiva. Livre-se destes males sociais o quanto antes.

    2. Coma comida de verdade

    Pare de comer e desejar todo alimento de baixa qualidade que está diante de seus olhos, bem como passe a ser seletivo sobre o que entra em seu corpo. Seja prudente em suas escolhas, informe-se sobre o que é cada ingrediente que compõem um alimento e descarte todos aqueles que podem trazer potenciais malefícios à sua saúde, à beleza da sua pele ou ao funcionamento do seu corpo.

    Não sou nutricionista, mas há uma abundância de conselhos deles para que comamos menos carboidratos de alto índice glicêmico (como àqueles provenientes do trigo e do milho – e aqui se incluem os processados). Pare de se encher de arroz branco nos seus almoços – varie na qualidade dos itens, nas muitas cores e sabores. Adicione mais frutas, legumes e vegetais à sua refeição.

    3. Todo mundo tem algo a dizer. Escute menos.

    Em uma era de abundância de informações, todo mundo tem algo a dizer. Há muitas vozes conflitantes por aí, causando desarmonia no ambiente e traduzindo para o português a loucura da mente. Não dê ouvidos à essas pessoas.

    Não leia muitos livros, nem muitas revistas, nem seções de opinião ou editoriais. Não. Ou, do contrário, você se tornará um reunido de ideias conflitantes que não se fartará em conhecer e saber cada vez mais, sobre mais e mais coisas.

    A dica mais preciosa nesse sentido eu recebi do ilustre filósofo A.-D. Sertillanges:

    A “paixão” pela leitura, que muitos honram como uma preciosa qualidade intelectual, é na verdade uma tara; não difere em nada das outras paixões que devoram a alma, trazem-lhe perturbações, lançam e entrecruzam nela confusas correntes e esgotam suas forças.

    A leitura desordenada entorpece o espírito, não o alimenta; torna-o pouco a pouco incapaz de reflexão e de concentração, e por conseguinte de produção; exterioriza-se por dentro, se posso exprimir-me assim, e torna-o escravo de suas imagens mentais, desse fluxo e refluxo do qual ele se torna um ardoroso espectador. Uma exaltação desse tipo é um álibi; despoja a inteligência e faz com que ela só saiba seguir os pensamentos dos outros e entregar-se à corrente das palavras, das exposições, dos capítulos, dos tomos.2


    Dito tudo isso, e agora?

    Aqui está a sua checklist de coisas para fazer no primeiro mês de um novo ano:

    • Verificar aniversários do mês e tomar as providências (presentes, cartões, jantares, etc)
    • Separar roupas usadas que não servem mais para doação
    • Limpar e guardar a decoração de Natal
    • Organizar o cantinho de estudos
    • Tomar sol diariamente
    • Criar (ou atualizar) a planilha anual de gastos pessoais
    • Agendar consultas médicas para fazer um check-up anual
    • Planejar o que pretende fazer no feriado de Carnaval e aos finais de semana (passeios, viagens)
    • Ir ao museu
    • Ir à praia
    • Limpar mensagens e e-mails antigos que já não sejam necessários

    Frutas da época

    • Abacaxi
    • Acerola
    • Banana da prata
    • Caju
    • Laranja-pêra
    • Manga
    • Mamão
    • Melancia

    Roupas da época

    Janeiro é um dos meses mais intensos do verão. Opte por roupas e acessórios leves com fibra natural, como algodão, couro, juta e linho. Elimine definitivamente do seu guarda-roupas vestuário à base de plástico: poliéster, poliamida e todos os demais. Revista-se de algodão e outras fibras naturais.

    Música

    Cerque-se de canções alegres, que te façam imaginar um verão mediterrâneo em Saint-Tropez, Marbella e Capri. Aqui está uma playlist apropriada para a ocasião:


    1. Foto de capa deste artigo: © Chloe Christianson. Via Dupe, reproduzido sob licença.
    2. © Katie Holtzclaw. Via Dupe, reproduzido sob licença.
    3. © Una Arslanagic. Via Dupe, reproduzido sob licença.
    1. Eclesiastes 1:2 ↩︎
    2. Citação de trecho do livro A Vida Intelectual, de A.-D. Sertillanges. ↩︎